A verdade sobre as doenças de abelhas no Brasil

Penso que é chegada hora de desfazer algumas das mentiras contadas no setor apícola deste país. Passados cinqüenta anos da nefasta introdução das abelhas africanas neste continente a abelha que está na natureza, chamada erroneamente de africanizada, não elevou as nossas médias de produção de mel como havia sido preconizado, muito pelo contrário ela abaixou em muito a nossa produtividade.
Esta mesma abelha vem destruindo a nossa biodiversidade e apesar do fato de muitos cientistas conscientes já terem denunciado o acontecido, nada de concreto foi feito para se reverter o quadro atual e salvar o que ainda restou.

As tratáveis abelhas melificas de outrora foram substituídas (?) por insetos agressivos, intratáveis, mortais, que passaram a ocupar todo o território do continente americano.
O crime intencionalmente realizado foi chamado de descuido e acidente e seus responsáveis não foram punidos. Ao contrário seus responsáveis criaram uma trama de mentiras para justificar seus erros que vêm sendo alimentadas por décadas para prejuízo da apicultura, dos apicultores e das sociedades latino-americana e norte-americana em geral.

Destas mentiras uma das mais infundadas é a afirmação de que as abelhas africanas apesar de todos os defeitos conhecidos e incontestáveis, pelo menos são resistentes às doenças e responsáveis por produzir um mel puro, isento de contaminantes e muito apreciado principalmente pelo consumidor europeu.
Parte desta farsa foi desmantelada com a recente proibição do mel brasileiro na Europa, devido à falta de confiança no nosso mel por conta dos importadores. A outra parte e que de certa forma explica o embargo europeu, será descrita a seguir.

Nestes anos de apicultura que tenho, aprendi a perceber que a verdade daquilo que acontece na apicultura brasileira não está nos livros e é preciso garimpar muito para se ler as verdades nas entrelinhas das mentiras.
Descobri na prática acompanhando as colônias de africanas que mantive sob meus cuidados no passado, as colônias de africanas dos clientes, e os enxames africanos chegados naturalmente em meus apiários que elas são muito susceptíveis ás doenças de abelhas e que quando doentes muitas vezes abandonam as colméias, sendo este um dos motivos deste assustador comportamento, servindo de disseminadoras destas doenças.

As abelhas africanas estão com níveis alarmantes de Varroa destructor, na ordem de 10 a 15% de incidência forética. Em qualquer país onde a apicultura é levada a sério, níveis superiores a 5% são considerados alarmantes e colocam em risco os resultados da atividade. Aqui no Brasil o apicultor é “convencido” de que não há problema e que suas abelhas não precisam ser medicadas, pois são resistentes.

Tenho notado e isso tem me sido confirmado por todos os apiários de africanas por onde passo que mais de 40% das colônias de qualquer apiário com africanas hoje, têm Cria Pútrida Européia. Recebi a informação de um amigo que visitando colônias de africanas no interior de São Paulo detectou através dos métodos conhecidos Cria Pútrida Americana, quase foi fuzilado ao comunicar isso para um grupo de apicultores. Neste país infelizmente resolvemos os nossos problemas negando-os!

Para mostrar que os doutores nas Universidades de pesquisa sabem disso melhor do que eu ou qualquer um de vocês, segue uma matéria assinada pelo Prof. Dejair Message, publicada no INFORME AGROPECUÁRIO" Ano 13 n° 14/87, Belo Horizonte e comentada em seguida pelo sr. Claudio Mikos, apicultor europeísta e profundo conhecedor de biologia e genética apícolas.

Espero sinceramente que após a leitura deste conteúdo, você criador de abelhas, possa se defender melhor das mentiras contadas como único intuito de justificar o erro deles, que estão hoje sentados confortavelmente em suas cadeiras, ensinando a você como (não)criar as suas abelhas!

Anderson Barros
Diretor técnico
Apiário Cosmos

 

PRINCIPAIS DOENÇAS DE ABELHAS NO ESTADO DE MINAS GERAIS

Dejair Message (Biól . Ph. D. - Prof. Adj./Dept Biologia Geral/ UFV - Caixa Postal 216 - 36.570 Viçosa. MG)


Arquivos originais:

- Página 51
- Página 52
- Página 53
- Página 54

INTRODUÇÃO

A manutenção de apiários produtivos depende basicamente de quatro fatores: do potencial melífero (plantas apícolas) da região; do manejo adequado das colônias de abelhas; de um programa de seleção genética de abelhas mais produtivas e resistentes a doenças e, finalmente, da manutenção de colônias sadias no apiário.

Os dois primeiros fatores (flora apícola e manejo) dependem muito do próprio apicultor, enquanto que os outros dois (melhoramento genético e doenças), em geral, dependem de um intercâmbio do apicultor com órgãos de pesquisas e laboratórios que façam diagnóstico de doenças. Para se desenvolver um programa de melhoramento genético, é recomendável a participação de um pool de apicultores e, se possível, com a orientação de um geneticista, para que se possa garantir o sucesso do programa. Quanto à sanidade apícola, o processo depende da capacidade do apicultor em detectar a presença de doenças ou parasitas na colônia e do diagnóstico correto, através de exames laboratoriais. O controle da sanidade apícola de uma determinada região, exige um intercâmbio direto entre os apicultores e um 6rgão de natureza privada ou, preferencialmente, estatal, para que se possa, além de fazer o diagnóstico correto das doenças e/ ou parasitoses, ter uma idéia da distribuição das doenças nas diferentes regiões apícolas.

Este artigo tem como objetivo principal discutir alguns aspectos relacionados com a situação da sanidade apícola nos apiários do estado de Minas Gerais e apresentar um procedimento mais adequado para o envio de amostras ele abelhas para diagnóstico em laboratório, uma vez que se têm observado vários casos nos quais as amostras chegam sem condições de ser analisadas.

 

DOENÇAS DE ABELHAS DIAGNOSTICADAS EM MINAS GERAIS

 

A partir de 1984, o Departamento de Biologia Geral da Universidade Federal de Viçosa começou a colaborar mais efetivamente com os apicultores mineiros, promovendo um trabalho de extensão na área de patologia apícola, através do qual atendeu a solicitações de palestras a respeito do assunto e efetuou análises laboratoriais de amostras de abelhas doentes enviadas pelos apicultores interessados. Através deste trabalho, foram detectadas algumas doenças no estado de Minas Gerais, as quais são apresentadas no Quadro 1 e descritas a seguir.

 

Cria Ensacada

 

Esta doença tem ocorrido em vários locais de Minas Gerais, no período entre outubro e novembro e, em outros, entre fevereiro e abril. Ela está sendo diagnosticada através dos sintomas apresentados pelas crias doentes, que são os seguintes: morte da cria na fase de pré-pupa (logo após a célula ter sido operculada); ausência de cheiro pútrido (presente normalmente nos casos de cria pútrida americana e cria pútrida européia); ausência de bactérias em esfregaços feitos a partir de crias com sintomas; mudança de cor do branco-pérola para amarelo-pardo até marrom-escuro, e apresentação de um formato de saco, quando puxada para fora da célula com uma pinça, presa na região cefálica. Isolamento e identificação sorológica do agente causador desta doença ainda não foram realizados; no entanto, os sintomas descritos são característicos da doença denominada "sacbrood" na Europa e Estados Unidos, a qual tem como agente causador o vírus SBV ( Sacbrood Vírus ).

Por serem grandes as possibilidades de essa doença ser de origem virótica, tratamentos com quimioterápicos não têm sido eficazes. Portanto, têm sido sugeridas aos apicultores algumas medidas de manejo, as quais visam a melhorar as condições das colônias para fins de autocontrole. Quando os sintomas são descobertos logo no início em um apiário, e a doença está ocorrendo em poucas colônias, sugere-se o isolamento delas, levan­do-as o mais longe possível do apiário. As colônias restantes devem ser inspecionadas com mais freqüência, para verificar se também foram ou não contaminadas. Com relação às colônias afetadas, sugere-­se que sejam tomadas as seguintes providências: remover todos os favos com crias doentes, substituindo-os por favos com cera alveolada ou por outros que não tenham tido anteriormente crias doentes; substituir a rainha por outra produzida a partir de colônias que não foram afetadas pela doença em um apiário infestado. Em alguns apiários afetados pela doença, tem sido observada a presença de duas ou três colônias sem sintomas, entre colônias altamente infestadas. Rainhas produzidas a partir destas colônias têm grandes possibilidades de ser resistentes.

É muito importante chamar a atenção dos apicultores a respeito do risco que correm caso façam sistematicamente substituições de rainhas dentro de um apiário, usando como matriz uma ou duas rainhas do próprio apiário. Este risco está relacionado com a produção de zangões diplóides, os quais são eliminados na fase de larva, podendo, desta maneira, reduzir drasticamente a população das colônias. Portanto, se possível, a substituição deve ser feita usando rainhas produzidas a partir de colônias de apiários diferentes. Alguns apicultores têm observado casos de colônias com rainhas italianas não serem afetadas, o que poderia indicar a possibilidade desta raça de abelhas ser mais resistente do que a africanizada. No entanto, estes resultados podem ter ocorrido ao acaso, necessitando de dados experimentais para sua confirmação.

No momento está sendo iniciado, na UFV, um projeto de pesquisa com recursos do Plano Integrado de Genética (PIG/CNPq), no qual se pretende isolar e caracterizar o agente causador da doença, estudar alguns aspectos epidemiológicos e, principalmente, tentar detectar a presença de linhagens de abelhas resistentes. Se o resultado for positivo, será desenvolvido um programa para avaliar o mecanismo de herança da resistência, e a partir daí selecionar linhagens de abelhas geneticamente resistentes.

 

Cria Pútrida Européia

 

Esta doença, apesar de apresentar uma ampla distribuição em todo o território nacional, foi detectada somente em três amostras enviadas para análise. No entanto, a partir de outubro/ 87, têm sido observadas, no apiário da UFV, várias colônias com esta doença, tendo sido também diagnosticado um caso na região de Ponte Nova. Possivelmente, o baixo número de amostras recebidas na UFV ­para serem analisadas não deve refletir a situação real da ocorrência da cria pútrida européia no Estado, uma vez que, no caso ­de doenças deste tipo, os apicultores geralmente fazem automedicação, baseando-se na literatura existente. Agindo desta maneira e obtendo algum resultado positivo, o apicultor acaba não enviando ­amostras para análise, não sendo, portanto, constatado o caso. Apesar de obterem sucesso algumas vezes usando este ­procedimento, os apicultores colocam em risco a qualidade do mel, porque há possibilidade de sua contaminação pelo antibiótico, ou podem favorecer o aparecimento de linhagens de bactérias resistentes ao antibiótico, devido à aplicação inadequada dele.

Essa doença normalmente ocorre entre os meses de outubro e março e pode ser diferenciada da "cria ensacada", que também surge neste período, através dos sintomas apresentados e através de alguns ­exames laboratoriais simples. Os principais sintomas desta doença são os seguintes: a morte da cria ocorre normalmente na fase de larva, ou seja, antes de ela ser operculada, enquanto que a cria ensacada ocorre após as crias serem operculadas; a larva aparece contorcida na parede da célula, enquanto que no caso da "cria ensacada" ela aparece com o corpo reto e com a região dorsal sobre a parede lateral da célula; a cria apresenta um cheiro pútrido geralmente forte, enquanto que a "cria ensacada" não o apresenta, apesar de terem sido encontrados, em Viçosa, casos de cria pútrida européia sem cheiro pútrido aparente. Em exames de esfregaços de crias doentes, observa-se, no caso de cria pútrida européia, normalmente, a presença de bactérias, principalmente Melissococcus pluton (Streptococcus pluton) e Bacillus aIvei, as quais não são detectadas no caso de cria ensacada. As larvas com cria pútrida européia não apresentam o formato de saco quando puxadas pela região cefálica como ocorre normalmente no caso de "cria ensacada".

 

 

DOENÇAS E PARASITOSES EM ABELHAS ADULTAS

 

É difícil diferenciar as doenças que ocorrem em abelhas adultas baseando-se simplesmente nos sintomas apresentados por aquelas abelhas adultas doentes. Portanto, torna-se necessária a utilização de técnicas laboratoriais para se chegar a um diagnóstico mais seguro. Casos de doenças virais não são facilmente diagnosticadas, mesmo em laboratório, por necessitarem de técnicas muito sofisticadas, as quais ainda não são rotineiras no Brasil. A nosemose, que é causada por um protozoário denominado de Nosema apis, e a acariose, que é devida ao ácaro endoparasita Acarapis woodi, são facilmente detectadas no laboratório, analisando-se, respectivamente, o tubo digestivo e as traquéias toráxicas de operárias adultas doentes ou principalmente daquelas mais velhas, quando estão na fase de coleta no campo (campeiras).

­ Até o presente momento, dentre as amostras enviadas para a UFV para diagnóstico, foi detectado somente um caso de acariose e nenhum de nosemose no estado de Minas Gerais. Foram diagnosticados dois casos de parasitoses por dípteros endoparasitas, encontrados no tórax e abdômen de operárias adultas. Um dos casos foi observado em colônia de abelhas italianas e, conforme relato do apicultor, os sintomas não foram observados na mesma região em abelhas africanizadas. Este inseto endoparasita possivelmente é a Melaloncha ronnai, de acordo com a identificação feita por Sande et al (1986) em amostras de abelhas analisadas da mesma região.

Em algumas amostras enviadas não foi possível determinar o tipo de doença, bem como o agente causador. Estes casos poderiam ser devido a viroses, riquetsias etc; as quais exigem técnicas de diagnóstico mais sofisticadas que ainda não foram implantadas na UFV.

Traça da cera e alguns forídeos também têm sido encontrados, possivelmente, causando sérios problemas nas colônias afetadas. Estes dois problemas devem-se geralmente a manejo inadequado.

Quanto ao ácaro Varroa Jacobsoni , não foi relatado até o momento nenhum problema sério relacionado com a redução de produção de mel. Message et al (1986) verificaram, em um experimento realizado em Florestal (MG), que a taxa de infestação média das colônias de abelhas da CEDAF (Central de Ensino e Desenvolvimento Agrário de Florestal -UFV) era inferior a 10% e não foi encontrada nenhuma correlação, neste nível de infestação, entre a taxa de infestação pelo ácaro e a produção de mel das colônias analisadas. Portanto, apesar dos efeitos em nível individual que o ácaro pode causar às abelhas, em nível de colônia ele parece não estar afetando a produção de mel nos índices de infestação encontrados. No entanto, não se pode generalizar este resultado sem conhecer os graus de infestação de outras regiões, os quais provavelmente também devem estar baixos, ten­do-se em vista o comportamento da dinâmica populacional deste ácaro observado em algumas regiões de Minas Gerais e de outros Estados brasileiros, onde predominam abelhas africanizadas, e a temperatura média anual é relativamente alta.

 

COMO DETECTAR DOENÇAS NO APIÁRIO

 

Sempre que o apicultor estiver fazendo uma revisão em suas colméias, é importante que ele esteja atento quanto à

sanidade de suas colônias. Alguns sintomas devem sempre ser verificados:

Nos Favos - Observar se o favo está falhado, apresentando crias em diferentes fases de desenvolvimento, distribuídas de uma maneira anormal; se tem crias com alteração de cor, posicionadas irregularmente nas células, se tem opérculos perfurados e se tem crias ou pupas desoperculadas, também com alguma alteração de cor. Estes sintomas podem indicar a presença de alguma doença de cria.

Em Abelhas Adultas - Observar se existem abelhas rastejando na frente do alvado, impossibilitadas de voar normalmente; abelhas com tremores; abelhas com asas desconjuntadas. Observar a presença, em quantidade anormal, de fezes dentro da colméia ou no alvado. Caso tenha sido observado algum destes sintomas, principalmente o primeiro, o apicultor pode suspeitar da presença de alguma doença ou parasitose em abelhas adultas.

 

COMO ENVIAR AMOSTRAS PARA O LABORATÓRIO

 

No caso de suspeita de doenças em crias, o apicultor deve enviar um pedaço de favo ou o favo todo, contendo crias com sintomas. Preferencialmente o favo não deve conter mel. Ele deve ser embrulhado inicialmente em um papel absorvente como, por exemplo, papel higiênico e posteriormente em um papelão do tipo ondulado, o qual pode ser obtido de caixas de acondicionamento de aparelhos diversos. Estes cuidados são necessários para possibilitar a chegada do favo no laboratório em condições adequadas para análise. Não acondicionar o favo em plásticos. Enviar a amostra acompanhada de informações a respeito do local e das condições da(s) colônia(s) afetada(s), conforme o Modelo I.

No caso de suspeita de doença, em abelhas adultas, recomenda-se enviar ao laboratório operárias que estejam rastejando na frente da colônia, as quais provavelmente conterão algum patógeno ou parasita. Além destas, seria importante enviar também uma amostra daquelas que apresentem tremores ou asas desconjuntadas obtidas dentro da colônia e, se poss ível, de abelhas campeiras (aquelas chegando do campo).

Para envio de operárias moribundas encontradas na frente da colônia, recomenda-se que seja feita uma limpeza do solo em um raio de aproximadamente dois metros na frente da colônia, removen­do-se todas as abelhas mortas do chão. Esta limpeza deve ser feita no dia anterior à coleta, um pouco antes de anoitecer, ou no dia em que ela for feita, o mais cedo possível. No final da tarde, o apicultor volta para coletar as operárias que estejam moribundas ou rastejando na frente da colônia.

Esses dois tipos de abelhas, ou seja, aquelas coletadas na frente e dentro da colônia, devem ser enviadas, separadamente, ao laboratório de tal maneira que possam chegar, se possível, vivas. Recomenda-se a utilização de caixinhas de madeira com tela ou perfurações ou de papelão forte. O uso de frascos de vidro não é recomendável, pois eles podem se quebrar durante o transporte.

As amostras de crias ou de abelhas adultas devem ser enviadas imediatamente através do serviço SEDEX do correio ou outro meio também rápido. Junto com elas, o apicultor deve enviar, o máximo de informações a respeito das condições climáticas, das condições da colônia, o número de colônias do apiário e o número de colônias afetadas, o local onde está ocorrendo a doença, o nome e endereço para correspondência e, caso tenha, o telefone.

 

PRIMEIRAS PROVIDÊNCIAS A SEREM TOMADAS PELO APICULTOR

 

Quando o apicultor descobre colônias de abelhas doentes no seu apiário, ele pode tomar inicialmente dois caminhos: se o número de colônias for pequeno, é recomendável remover aquelas afetadas para outro local, situado pelo menos cerca de 3 km de distância do apiário de origem, para evitar o retorno das campeiras. A mudança deve ser feita preferencialmente à noite. Caso o número de colônias afetadas seja grande, removem-se as colônias não afetadas. Este procedimento tem a finalidade de separar as colônias sadias daquelas doentes para evitar contaminação. No entanto, ao remover as colônias doentes para outro local, estará sendo introduzido mais um fator de "stress" o que pode agravar a doença, apesar de que, em certos casos, o "stress", que propiciou o desenvolvimento do patógeno, pode ser devido às próprias condições do apiário original, e a transferência para outro local pode propiciar melhores condições para as abelhas.

Um outro procedimento que o apicultor deve tomar refere-se à substituição dos favos com crias doentes por outros limpos e em boas condições. Desta maneira o apicultor estará ajudando as abelhas a controlar a doença.

A substituição das rainhas das colônias afetadas também é muito importante em relação ao controle da doença, uma vez que estas rainhas são susceptíveis à doença. Como ainda não existem rainhas selecionadas para resistência às diversas doenças, esta substituição acaba sendo ao acaso. No entanto, o apicultor que é bem organizado e observador, ao longo do tempo, pode fazer sua seleção particular, eliminando as rainhas susceptíveis e selecionando aquelas resistentes. No entanto, deve-se evitar sempre a consangüinidade, pois em abelhas Apis mellifera, el a pode levar à produção de zangões diplóides no lugar de operárias, os quais são inviáveis, sendo eliminados na fase de larva.

 

 

DOENÇAS EM CRIAS DE ABELHAS

 

Com o início do período quente e chuvoso, começam a aparecer as doenças em crias. No estado de Minas Gerais tem sido detectado a cria pútrida européia e a cria ensacada. Esta última, possivelmente, é causada por um vírus e está sendo estudada no Departamento de Biologia Geral da Universidade Federal de Viçosa-UFV. O trabalho tem como objetivo esclarecer qual é o agente causador da doença aqui no Brasil e tentar obter linhagens de abelhas resistentes. No entanto, para se atingirem estes objetivos, é necessária a colaboração do apicultor, principalmente daqueles que estão tendo colônias de abelhas com sintomas da doença.

Por esse motivo, deve-se enviar ao laboratório da UFV um pedaço de favo de cada colônia doente, para que sejam feitas análises. O exame é gratuito e servirá para detectar as regiões afetadas, possibilitando assim encontrar soluções para o controle da doença.

 

 

MODELO 1

COMO ENVIAR A AMOSTRA

 

- O favo pode ter aproximadamente 10 cm x 10 cm. O importante é que contenha crias com sintomas da doença.

O favo não deve conter mel. Caso o contenha, deverá ser muito bem embrulhado com papel higiênico, o qual poderá absorvê-lo durante o transporte.

- Além de embrulhar o favo com papel higiênico, será bom envolvê-lo com um papelão grosso, do tipo ondulado, para protegê-lo contra choques, que poderiam amassá-lo.

- Se possível, deverá ser enviado um pedaço de favo de cada colônia, pois as duas doenças (a cria pútrida européia e cria ensacada) poderiam estar ocorrendo no apiário.

- A amostra deverá ser enviada o mais rápido possível, usando o serviço SEDEX (correio) ou outro.

- Envie informações a respeito do número de colônias do apiário, quantas estão afetadas e se foi feito algum tratamento antes de enviar a amostra, ou qualquer outro procedimento.

- Envie o nome completo, endereço e telefone.

 

 

ENDEREÇO PARA O ENVIO DAS AMOSTRAS

 

Prof. Dejair Message

Departamento de Biologia Geral Universidade Federal de Viçosa - UFV

36.570 - VIÇOSA-MG

QUADRO 1 Distribuição (baseada em amostras enviadas por apicultores a partir de 1984) por Local e

Época de Ocorrência de Doenças e Parasitoses de Abelhas Apis mellifera no Estado de Minas Gerais

 

LOCAL

ÉPOCA

 

 

CRIA ENSACADA *

 

 

 

Grão - Mogol

out/85

Grão - Mogol

out/85

Belo Horizonte

out/84

Belo Horizonte

out/85

Viçosa

mar/84

Viçosa

abr/84

Viçosa

mar/86

Prata

nov/84

Bom Despacho

out/85

Machado

out/85

Lavras

out/85

Angueretá

out/85

Jaboticatubas

out/85

Manhuaçu

---

Carangola

fev/84

 

 

CRIA PÚTRIDA EUROPÉIA

 

 

 

Viçosa

fev/84

Viçosa

mar/86

Viçosa

out/86

Ponte Nova

out/86

Manhuaçu

fev/84

 

 

ACARIOSE

 

 

 

Santa Bárbara

ago/84

 

 

DÍPTEROS ECTOPARASITAS

 

 

 

Piranga **

dez/84

Belo Horizonte **

abr/85

Belo Horizonte

out/85

 

 

CASOS INDETERMINADOS

 

 

 

Belo Horizonte

out/85

Belo Horizonte

dez/85

Serro

mai/86

Guapé

mar/86

Santa Bárbara

ago/84

Juiz de Fora

mar/84

Piranga

dez/84

 

 


* Os sintomas apresentados pelas crias são de cria ensacada, porém ainda não foi determinado o seu agente causador.
** Larvas de insetos endoparasitas encontradas no tórax e/ou abdômen de operárias adultas.

 

REFERÊNCIAS

MESSAGE, D.; SILVA.H. da & GONÇALVES, L.S. Efeito do ácaro Varroa jacobsoni na produção de mel em colônias de abelhas africanizadas (Apis mellifera). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE APICULTURA, 7., Salvador, BA. 1986. Programa e resumos...Salvador, Confederação Brasileira de Apicultura, 1986, p.55-6.

SANDE, M. Van de. OLIVEIRA, J.A.F. de. & RIBEIRO. P.B. Apimiiases - Ocorrência de Melaloncha ronnai Borgmeir (Díptera: Phoridae) associada a casos de mortalidade de abelhas africanizadas (Apis mellifera) em SC e MG. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE APICULTURA, 7., Salvador. BA. 1986. Programa e resumos... Salvador. Confederação Brasileira de Apicultura, 1986, p. 56.

 

Colegas Apicultores...

É importante saber ler nas entrelinhas mais do que o relatório de Dejair Message em si, no qual ele se reporta acerca das doenças presentes nas abelhas do Estado de Minas Gerais - BRASIL: ver acima: "PRINCIPAIS DOENÇAS DE ABELHAS NO ESTADO DE MINAS GERAIS" que consta do "INFORME AGROPECUÁRIO" Ano 13 Nº. 14/87 - Belo Horizonte - páginas 51 até 54.

Comentário sobre a Página 51
Aqui ele implicitamente admite que as abelhas daquele Estado (africanas Scutellata) não são sadias e nem resistentes por natureza, ou seja: cabe a um pool de apicultores se organizarem para fazerem uma seleção...
Reconhece com a total claridade que a UFV recebeu amostras de materiais infectados por doenças. Vejamos como o Autor o elucida: "... e efetuou análises laboratoriais de amostras de abelhas doentes enviadas pelos apicultores interessados. Através deste trabalho foram detectadas algumas doenças no estado de Minas Gerais..."

Comentário sobre a Página 52
Aqui cita que há graus de baixa infecção e de alta infecção; recomenda quando é pouca, retirar as colméias afetadas do apiário... E na Página 54 se for uma generalizada retirar as silhas sadias...
Afirma com total clareza que a "Podridão da Cria Européia" pulula por todo o Pais e menciona casos na própria UFV. Inclusive alega que são poucas as amostras recebidas em razão de que os apicultores eles próprios medicam as suas abelhas...

Quanto à menção feita - dos apicultores eles mesmos medicarem as suas abelhas - é um fato real e isto se agravou muito principalmente depois de que as Faculdades nacionais cometeram o gravíssimo e imperdoável erro de ceder a sua soberania e independência dando acolhida a um tal de "Yankee Beekiller" (matador yankee de abelhas) (David de Jong) - como é conhecido internacionalmente e que se vangloria de ter mandado queimar milhares de colméias povoadas em vários países. A sua funesta fama se espalhou pelo Brasil e igualmente nos países vizinhos como um relâmpago entre todos os apicultores...
Qual é o apicultor que ama as suas abelhas (e nós brasileiros somos apaixonados por elas) vai correr o risco de permitir que um "invader mariner norte-americano" visite o seu apiário e ainda este se atreva a dar ordens como de queimar abelhas? O mais modesto consulta a literatura e aplica os medicamentos mencionados por Helmuth Wiese no "NOVO MANUAL DE APICULTURA" páginas 90 ss. e que no comércio se encontram com muita facilidade em qualquer parte nas casas de produtos agropecuários... E de outra parte não se pode confiar nas Faculdades porque estas não dispõem de rainhas certificadas como resistentes. (Outros às vezes nos consultam e ocasionalmente temos fornecido algumas rainhas resistentes).
É sabido de todos que não foi o "Yankee Beekiller" - nem as suas repugnantes ordens de queimar as abelhas que conseguiram dar soluções à A. F. B. (Podridão da Cria Americana) e ao Destructor Varroa, mas apicultores abnegados como Susan Cobey, Marla Spivak, Ohio Queen Breaders, Glenn Apiaries, SMR russas, NEW BUCKFAST, NEW WORLD CARNIOLAN, Prieto/Naveiro, entre outros... Hoje, graças à genética dos norte-americanos, o apicultor lá recebe em casa as rainhas certificadas, não precisa queimar nenhum favo e em questão de dias observará uma lindíssima cria nova e saudável...

Nota: ordinariamente dizemos "nova" ("new world") Carniolan, como exemplo... Na verdade cientificamente tal conceito não expressa a verdade porque o que ali na realidade se conseguiu foi tão somente depurar gametas resistentes e reagrupá-los numa "nova" TRIBO RESISTENTE. Não se criou nada de novo e sim somente se alteraram as combinações do que já existia. Certamente isto em teoria poderia ser feito em todas ou quase todas as raças de abelhas existentes inclusive nas africanas APIS MELLÍFICA SCUTELLATA... Aqui estamos falando de algo sério como de "SELEÇÃO GENÉTICA" e não de coisas como a tal da "Seleção de massas"...

Comentário sobre a Página 53
Nesta ele ensina como se inspecionam os favos para se detectar as possíveis enfermidades e como preparar as amostras do material infectado para serem despachadas ao laboratório...

Comentário sobre a Página 54
Pelo que eu saiba somente no Brasil se quer jogar a responsabilidade da seleção das abelhas para o próprio apicultor fazer: ",,, No entanto, o apicultor que é bem organizado e observador, ao longo do tempo, pode fazer sua seleção particular..."
Porque será?

 

CONCLUSÔES


- É importante notar como destacou um único caso de Nosemose nas Italianas. É mais do que óbvio de que ressaltaria com grandes alardes se estes males estivessem afetando as abelhas européias...
- Porque será que as Faculdades se negam a fazer a seleção de abelhas e recomendam que os pobres mortais e coitados dos apicultores a façam????????
- O relatório é interessante porque parece que o Autor está tocando com pétalas de rosas as Scutellata: como será que elas retribuem a todo este carinho?????
- Foi omitido o detalhe de que as abelhas Scutellata quando afetadas por doenças severas depois de completadas 03 semanas migram enquanto outras eliminam a mãe reinante e puxam realeiras... Muitos dos abandonos se explicam desta maneira... A "FUGA DE ENXAMES AFRICANOS" muitas vezes se à presença de enfermidades.

O leitor que quiser saber mais como se processa esse maravilhoso mecanismo da VIDA neste Planeta terá boas respostas ao estudar:
- MENDEL - o pai da GENÉTICA;
- HUGO DE VRIES descobriu os indivíduos MUTANTES; conseguiu assim descobrir como se processou toda esta maravilhosa diversidade de formas de vida e que corrobora a EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES de CHARLES DARWIN; e
- DARWIN que explica como prevalece a SELEÇÃO NATURAL.
De um lado estão as leis da Genética (MENDEL) que são hereditárias. De outro estão os mutantes (HUGO DE VRIES) que são como um leque que aumenta a diversidade biológica dando origem à evolução das espécies e em contrapartida a seleção natural que afunila permitindo somente aos mais aptos sobreviverem.

Att Sds
Claudio Mikos
Em meio a tanta hipocrisia espero ter colaborado com algo...